A necropsia (necros = morto + scopion = observar) ou autopsia (auto= si próprio) é um procedimento médico praticado desde antes de Cristo e que visa analisar as alterações orgânicas após a morte.

Pode ser subdividida em três tipos: a necropsia médico-legal ou forense, destinada a identificar o processo da morte em casos de violência ou duvidosos; a verificação de óbito, realizada em casos de morte não violenta de pessoas sem acompanhamento médico e a necropsia hospitalar, realizada por anatomopatologistas, em pacientes internados falecidos em decorrência de doenças.

Trabalho árduo, nem sempre bem interpretado e aceito pela comunidade, a necropsia deve ser realizada com a consciência de sua importância no aprimoramento da Medicina e como instrumento de controle do seu próprio exercício.

A técnica da necropsia consiste em estudar as alterações de todos os órgãos após a morte a partir do exame macroscópico (observação a olho nu dos órgãos retirados), que fornece material para o exame microscópico, onde serão vistas as alterações a nível celular. Relacionando os achados macro e microscópicos com os dados da história do paciente, pode-se então estabelecer a causa da morte, a doença de base e outras patologias existentes.

A necropsia não serve apenas para identificar a causa do óbito, como muitos pensam, ela tem diversas outras funções:
  • Controle de qualidade do diagnóstico e do tratamento, através do conhecimento, por parte da equipe que atendeu o paciente, dos achados da necropsia, visando identificar possíveis falhas e suas causas, buscando sua correção, para que não se repitam em outro paciente.
  • Fonte de informação para a Secretaria de Saúde, permitindo a feitura de estatísticas precisas sobre as doenças mais freqüentes, o que influi na política de saúde do Estado e do Município.
  • Material para ensino dos médicos residentes, alunos e professores. A correlação clínico-patológica realizada durante todas as etapas da necropsia é um excelente exercício, constituindo a maior fonte de ensinamento em Patologia.
  • Material para pesquisa científica.
  • Reconhecimento de novas doenças e de novos padrões de lesão.
  • Reconhecimento do efeito do tratamento na evolução da doença.
  • Esclarecimento de casos sem diagnóstico clínico firmado ou naqueles em que a morte do paciente foi inesperada.

Apesar de tão importante, o número de necropsias é baixo na maior parte dos hospitais tanto no Brasil como no exterior. Isto se dá em grande parte pela associação de convicções religiosas, preconceitos e falta de esclarecimento público sobre seu papel central no progresso da Medicina e, conseqüentemente, na melhoria do tratamento dos doentes.